Arquivo para Março, 2008

Regresso do fenómeno religioso?

O apontado regresso do fenómeno religioso, não só na sociedade portuguesa, mas na Europa também, dá o mote à reflexão das Jornadas de Teologia, organizadas pela Faculdade de Teologia (FT) da Universidade Católica Portuguesa, no Porto. O Director-Adjunto do núcleo do Porto, Pe. Jorge Teixeira da Cunha, regista à Agência ECCLESIA “um interesse renovado no religioso, tanto a nível teórico como prático”. O religioso não é mais considerado como uma dimensão periférica da vida, “mas central”. As ciências humanas acompanham o fenómeno religioso de outra forma – a psicologia e a sociologia reflectem sobre o religioso como uma dimensão fundamental da vida. Uma dimensão que “não vai desaparecer, que é permanente, ao contrário do espírito moderno e do laicismo que pensou que o religioso estava destinado a desaparecer dentro de algumas gerações”, aponta o Director-Adjunto do núcleo do Porto da FT. Quanto mais crescia a razão, mais diminuía a religião. “Mas não é assim”. O religioso é uma “dimensão do espírito humano” e uma dimensão da “cultura e da sociedade humana” que “permanece e que representa um valor”. O Pe. Jorge Teixeira da Cunha reconhece que o religioso adquire várias dimensões, também sob a capa de superstições e esoterismos, “menos purificadas pela razão, que estão também de regresso”, avança. No entanto, no contexto das Jornadas de Teologia, a reflexão incide sobre a nova dimensão da espiritualidade cristã. Daí que, aponta o Pe. Jorge Teixeira Cunha, “toma-se o religioso como sinónimo da religião, enquanto abertura do espírito humano à transcendência absoluta”. Quais as características novas do regresso do religioso? Seguramente o fenómeno do “cristão não praticante”. As Jornadas de Teologia da UCP, no Porto, querem reflectir sobre a relação “dessas pessoas com a hierarquia, com a Igreja, com a fé explícita”. Um regresso das pessoas a Deus, “mesmo quando esse regresso não é à moral ou à Igreja”, aponta. O Director aponta uma “mistura de vários factores”. O fenómeno sincrético de espiritual, de crença explícita em Deus, mas que “não se nomeia, apenas se sente como necessidade”, que interessa compreender e mostrar na sua dimensão social. Não é só a sociedade a mudar. O religioso também muda muito. «O regresso do religioso e o religioso como regresso» “é uma provocação ao retorno da espiritualidade da religião, mas não significa um regresso à Igreja ou à cristandade”. “É outra coisa, com fronteiras imprecisas e contornos indefinidos”, explica o Pe. Jorge Teixeira Cunha. Este retorno representa “uma necessidade da pessoa mas não conduz à congregação da Igreja e às pautas da moral”. Esta reflexão não se restringe ao nível teórico, ganha importância nas práticas pastorais. “Esta poderá ser uma notícia boa, pois significa que há muitas pessoas que acreditam em Deus mesmo não solicitando os nossos serviços”, avança. Mas por outro lado, “complica-nos a vida”, admite o director, “na medida em que temos de pensar na presença da Igreja na sociedade, não como numa condução de pessoas que estão acessíveis à pastoral e pertencentes à congregação da Igreja, mas vivem outra dimensão que nos escapa”. Esta nova forma de pertença menos explícita e directa a Deus “é dolorosa e um grande desafio para nós”.

in ECCLESIA, 05/03/2008

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Entender o silêncio de Deus

Tomando os relatos da Paixão, percebemos que estes mantêm, entre si, linhas fundamentais de continuidade, mas sem abdicar de uma estratégia diferenciada, a ponto de ser reconhecível a voz e o timbre de cada evangelista. Em Marcos, por exemplo, a cruz é o momento da revelação do segredo messiânico de Jesus, mantido ao longo de toda a narrativa. Contudo, o centurião romano que ali declara, «este homem era verdadeiramente filho de Deus», em Lucas profere algo que diz o mesmo e outra coisa: «este homem era verdadeiramente justo». Lucas escreve também para cristãos vindos do paganismo, e aquele «verdadeiramente justo» tem uma duplicidade que visa o seu heterogéneo auditório: Jesus é tanto o inocente, vitimado pelos aparelhos religioso e político, como o «justo sofredor», essa figura atravessada por explícitas referências messiânicas. Mas, em todos os relatos da Paixão, as palavras culminantes são aquelas que aparecem na boca do próprio Jesus: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem»; «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito»; «Tudo está consumado»; «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?» (ou «Meu Deus, Meu Deus a que me abandonaste?», como preferem algumas traduções recentes). Claramente, o destinatário das palavras de Jesus não é um confidente qualquer: é o próprio Deus. E o modo como Jesus o evoca, chamando-o «Pai» e «Meu Deus», confere ao diálogo uma densíssima intimidade, tanto mais paradoxal quanto a cruz é vista como maldição e, a sua, uma morte reservada aos infiéis. Jesus afronta, assim, não apenas o silêncio dos homens, mas também o aparente e inexpugnável silêncio por parte de Deus. A cruz desconcerta como uma aporia intransigente. Somos chamados a contemplar o mistério de Deus e o do Homem no mais devastador dos silêncios que o mundo conheceu. Mas desse, precisamente, partirá o “grande levantamento”, a “radical insurreição” pascal. Já depois de proferidas todas as palavras, os evangelistas Marcos e Mateus contam que Jesus soltou ainda um segundo grito. E que, nesse momento, o véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo. Isto é, o sagrado perdeu a sua reserva e desloca-se agora para o profano mais escandaloso: na carne daquele inocente, no seu lancinante silêncio, reside agora a revelação de Deus.

José Tolentino Mendonça in ECCLESIA, 12/03/2008

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3.ª Mostra Modos de Vida Alternativa

Lisboa Feira Alternativa

Lisboa Feira Alternativa

Um programa diferente para um fim de semana diferente.

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“Earth Hour”. Adere!

Mais de 370 cidades de 35 países vão desligar as luzes durante uma hora no sábado (às 20h00, hora local em cada cidade), no âmbito da iniciativa “Earth Hour” (Hora da Terra), que visa alertar para as alterações climáticas. Nenhuma cidade portuguesa aderiu à iniciativa, segundo a lista divulgada no site da organização na Internet (www.earthhour.org). Em declarações à agência Lusa, Francisco Ferreira da Quercus disse que esta “é uma iniciativa interessante” mas considera mais “importante uma sensibilização feita no dia-a-dia“. No entender do ambientalista, o mais importante é fomentar mudanças de comportamentos, advertindo as pessoas para o excessivo consumo de energia. “Claro que terá bastante impacto desligar as luzes durante uma hora a um sábado mas depois no dia seguinte já ninguém o faz“, disse. Francisco Ferreira adiantou que “um dia destes a Quercus irá promover em Portugal uma acção de sensibilização do género“. “Para já queremos é mais acção do Governo e mais consciencialização por parte das pessoas para o consumo da energia“, salientou.

in www.sic.sapo.pt/online/noticias, 28 de Março de 2008

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O amor vence a morte!

No Domingo de Páscoa, recordámos o grande acontecimento da nossa vida de fé: Jesus Ressuscitou. Jesus “que passou fazendo o bem e curando” (Act10, 37) venceu o mal, a morte. Aleluia! Aleluia! Hoje continua a haver muito sofrimento, tortura, injustiça, morte, mas a nossa esperança tem Nome: Jesus Cristo. O Evangelho de S. João (20, 1-9) diz-nos que perante o sepulcro vazio Maria Madalena exclama “levaram o Senhor” mas que João ao ver as ligaduras no chão “viu e acreditou”. Tal como os discípulos, também nós vacilamos, duvidamos, questionamo-nos… Mas a nossa força e luz está na escuta da Palavra. É ela que ilumina e prepara o nosso coração para nos fazer testemunhas do Senhor Ressuscitado. E como Pedro, somos enviados a anunciar que o Amor venceu a morte. Desejo, pois, que nesta sociedade de contrastes, de egoísmo, de dominação… o Senhor Ressuscitado nos anime para que tenhamos sempre coragem para partilhar a vivência da nossa fé.

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FELIZ PÁSCOA!

Cristo é o Alfa e o Omega. Jesus é nascente e foz. Este é o grande mistério pascal; por isso, nunca nos sentimos abandonados. Sentimos que vamos para onde vimos.
Que nesta Páscoa a Ressureição seja vista como um oásis surgido neste mundo e tempo complicados que vivemos.
Uma feliz páscoa para todos!
Susana

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O poder do amor que perdoa!

Intenção Geral do Papa Bento XVI para o mês de Março 

Que se compreenda a importância do perdão e da reconciliação entre as pessoas e os povos e, através do seu testemunho, a Igreja difunda o amor de Cristo, fonte de uma nova humanidade

1. Perdão e reconciliação – Perdão e reconciliação andam juntos. Nenhuma reconciliação entre pessoas, em comunidades divididas ou entre povos em luta, pode ter lugar se, antes, não se derem os passos necessários para o perdão. Não é, porém, uma tarefa fácil – não o é no âmbito das relações pessoais, menos ainda no âmbito das relações comunitárias ou entre povos, pois quanto maior é o número dos ofendidos (e quase sempre ambos os lados se consideram ofendidos), mais difícil se torna a gratuidade do perdão e, através dele, o restabelecimento de relações reconciliadas. Não há, apesar disso, outro caminho igualmente capaz de humanizar as relações entre as pessoas e os povos. Os factos confirmam-no diariamente: a violência pode ser, no momento, a única resposta a um agressor violento e injusto…; os muros podem, durante algum tempo, garantir tranquilidade e segurança…; a aplicação das leis civis é o caminho comum para sanar conflitos de interesses ou para “vingar” direitos ofendidos… Mas a reconciliação vai além disso, é uma relação sarada pela força do perdão, na qual as pessoas se voltam a olhar como tais e não como competidores, momentaneamente apaziguados pela força ou pelas conveniências.

2. Testemunhar o perdão de Deus- Mais do que um acto momentâneo, o perdão é um modo de ser só ao alcance de Deus, tal como se deu a conhecer em Jesus Cristo: perdão total, definitivo e incondicional, para quem o queira acolher. Nós, cristãos, estamos chamados a aprender de Deus este modo de ser e a praticá-lo, tanto quanto nos seja possível, dando testemunho da nossa condição de gente salva pelo dom divino do perdão, concedido a toda a humanidade em Jesus Cristo. É um serviço que prestamos ao mundo, em vista à reconciliação de todos os seres humanos entre si e com Deus; não é, de modo algum, uma dádiva nossa aos outros – a dádiva é de Deus, nós somos apenas, devemos ser, testemunhas dela. Testemunho pela acção e pela palavra: agir como gente perdoada, que perdoa e aprende cada dia a perdoar; e falar, anunciando Aquele que nos perdoa e nos ensina a perdoar. A acção dá conteúdo à palavra. A palavra esclarece a acção, dizendo a sua origem. Deste modo, nem a nossa palavra será vazia, nem o nosso agir será equívoco. Uma e outro serão sinal da força de Deus, operando em nós e no mundo – uma força que não é a dos violentos nem a dos promotores do ódio e da intolerância, mas a força do Amor. 3. Difundir o amor de Cristo, renovar a humanidade – Quando falamos de amor, não se trata de um sentimentalismo invertebrado nem de um romantismo estéril. E o mesmo se diga do perdão – não é para gente fraca, que perdoa porque não consegue impor-se. Um amor e um perdão desse género seriam apenas fonte de ressentimento e miséria espiritual e moral. O amor cristão é uma força poderosa, capaz de mudar o mundo – porque é à imagem do Deus Amor, que perdoa e faz novas todas as coisas. Tomemos o exemplo de Jesus Cristo. Disse: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos» (João 15, 13). E fez: amou-nos até à morte – e morte de cruz. E S. Paulo acrescenta: «quando ainda éramos pecadores é que Cristo morreu por nós» (Romanos 5, 8), ou seja, «quando éramos inimigos de Deus» (5, 10). Não há aqui nenhuma fraqueza. Pelo contrário, na morte de Jesus manifesta-se o máximo poder de Deus – o poder do Amor. Seria muito mais «normal» reagir aos violentos, exigir os seus direitos e vingar-Se dos seus inimigos – mas não seria Deus, seria um ídolo, à nossa imagem e semelhança. Deus é Outro – e nós, criados à sua imagem e semelhança, estamos chamados a ser como Ele. O único poder verdadeiramente cristão é o poder de Deus, isto é, o amor que perdoa. É um poder terrível, sobretudo para quem o exerce. Exige a renúncia constante ao orgulho, à insensibilidade, ao amor próprio, ao auto-comprazimento. Exige coragem para suportar o insulto, a mentira, o poder do mal. Exige convicção para anunciar os valores evangélicos e denunciar tudo quanto põe em causa a dignidade humana… mesmo ou sobretudo quando nessa denúncia se vai contra o “espírito do tempo” e os interesses dos poderosos deste mundo. Só esta coragem torna a Igreja capaz de difundir o amor de Cristo, o único que pode criar uma humanidade nova, reconciliada porque perdoada e capaz de exercer o poder supremo: o do Amor que perdoa sempre («setenta vezes sete» – Mateus 18, 22).

por Elias Couto in Agencia Ecclesia

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O lado bom da vida!

Olhar para o lado bom da vida não significa fechar os olhos às ameaças terroristas ou à crise económica, fazendo de conta que não existem. Olhar para o lado bom da vida é uma opção. É escolher olhar para as pessoas boas e corajosas de que a vida está cheia, para os acontecimentos, descobertas ou iniciativas que trazem o bem e dignificam os seres humanos, dar-lhes importância e privilegiá-las em relação às outras, aquelas que a comunicação social atira cá para fora às centenas, quotidianamente. Olhar para o lado bom da vida não é mais irrealista do que olhar para o lado mau – é apenas uma questão de perspectiva e de opção. Quando escolho dar ouvidos àquilo que reforça a mediocridade e o medo, deixando que entrem pela minha casa os fermentos da desconfiança e do egoísmo, estou cada vez mais a afastar-me dos outros seres humanos com quem partilho este planeta. Mas quando escolho ouvir preferencialmente falar dos pequeno e grandes casos de bondade, altruísmo e coragem, lembro-me do fantástico potencial humano que todos possuímos e de como, apesar das diferenças, todos somos iguais. Dando ouvidos àquilo que nos dignifica, aprendo a valorizar os outros aos quais estou, de toda a forma, intimamente ligada nesta viagem que é a vida. Por isso, parmaneço firme na esperança que este blogue seja bem acolhida e possa contar com a participação de muita gente. Estou certa de que existem muitas coisas boas que merecem ser partilhadas e estou confiante no potencial desta ideia para trazer ao conhecimento de todos os inúmeros motivos de alegria e regozijo que, presentemente, passam despercebidos. Mas para este projecto possa encontrar o sucesso que merece, preciso da tua ajuda, dos teus comentários…

Susana Faria

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