É um verdadeiro companheiro de viagem. Um guia vivo sem o mais pequeno estrago do tempo. Com voz clara, desenho perfeito do caminho a percorrer. À distância certa da origem e da parusia, do grande encontro, do reencontro da humanidade com Deus no seu projecto, do eterno regresso à casa, ou melhor, aos braços do Pai. Uma estrada de Emaús com pão repartido antes de chegar à mesa. É o Livro dos Actos. As primeiras comunidades cristãs são o modelo certo e o estímulo preciso para todos os tempos e mudanças. Mesmo com outra contagem do tempo ou enquadramento religioso e cultural. Tudo o que lá se encontra revela uma experiência, uma doutrina feita vida, a prática comunitária do projecto de Jesus. (…) Os Actos são o exemplo acabado do essencial que desafia todos os acessórios. São um tratado de Igreja viva situada no mundo real e alimentada pela projecção do Espírito para além dos tempos. Constituem a experiência da grande novidade do Evangelho em impacto frontal com as culturas, religiões, crenças, éticas, raças, estilos, filosofias de vida. Os Actos acabam por constituir a mais forte das doutrinas e o mais encarnado dos credos. Na oração, na palavra, na partilha do pão e dos bens, na reconciliação e no projecto da vida comunitária a partir da Ressurreição. (…) Que tem tudo isto a ver com o nosso tempo cheio de contas, cálculos, tecnologias, competitividade, pressas do imediato, eficácia como critério e direito de sobrevivência à mistura com o profundo desejo de infinito e o deslumbramento pela figura de Jesus? Os Actos remetem-nos para uma nova lógica do homem e de Deus. Com a bandeira da ressurreição e o impulso de quem descobriu a Boa Nova espanta o mundo inteiro, escandaliza os poderosos, surpreende os indiferentes, arrasta os apaixonados, alenta os fracos. Livro de bolso de qualquer cristão, vai oferecendo o rosto de Jesus sem a mais leve ruga de propaganda ou proselitismo. Revelando o ângulo de claridade que está para além de todas as palavras.
por Pe. António Rego in www.agencia.ecclesia.pt
O tempo escasseia na minha vida. Cada dia que passa apercebo-me do quão precioso é o “tempo” que Deus nos deu. Mas, infelizmente, neste tempo em que vivemos (ou será, corremos?) resta muito pouco para nos dedicarmos ao que realmente importa, ao que, de facto, nos aquece o coração e enriquece a alma. É a vida… casa, trabalho, família, lazer, obrigações… Ao ler este editorial do Padre António Regio sobre o Livro dos Actos dos Apóstolos, que enriquece o Tempo de Páscoa, realizei com mais honestidade o quão desatenta tenho andado aos ecos da Palavra do Senhor… Parei e perguntei “O que tens feito com o teu tempo?”. Não gostei das respostas.
Susana Faria