Arquivo para Setembro, 2008

Se…

Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia…

Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas…

Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser…

Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo…

Se algum ressentimento,
Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,

E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou…

Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio…

Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu…

Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia…

Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende…

Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim…

Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito…

Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz…

Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou…

Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos,
Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta.

Prof. Hermógenes

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Cuidar dos refugiados – Intenção do Papa para o mês de Setembro

Que sejam apoiados pelos cristãos na defesa dos seus direitos aqueles que, por causa de guerras ou de regimes totalitários, se vêem obrigados a abandonar a própria casa e a sua pátria.

Em nome da comum humanidade e da certeza de que todos são filhos do mesmo Deus, os cristãos devem mostrar-se activamente comprometidos no seu acolhimento. Em muitos casos, tal compromisso passará por dar voz aos seus direitos, pois os refugiados dificilmente podem falar por si mesmos, dada a precariedade da sua situação. Além disso, e porque nem sempre é fácil vencer as desconfianças e rejeições das populações locais face à chegada de grandes grupos de gente desprovida de tudo, importa estar presente, no terreno, criando condições para a integração e para o respeito mútuo. Os cris-tãos, certamente, não são os únicos a terem obrigação de agir assim. A sua fé, porém, exige-lhes esta atitude de acolhimento e defesa dos direitos dos refugiados, como irmãos particularmente queridos, nos quais se faz presente a paixão do seu Senhor e Mestre.

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Olá!

Depois dum maravilhoso período de férias e um regresso atribulado ao trabalho, retomo o meu “marketing” a favor da beleza da vida, apesar de nem sempre ser fácil…

São pequenas coisas, pequenos gestos, que marcam a diferença, a diferença das pessoas, da vida, do futuro. Há pouco, estava na conversa com uns colegas de trabalho e a comentar a notícia hoje veiculada pelos meios de comunicação que relata que há médicos a ganhar 2500€ em 24h de serviço de urgência. Depois de vários comentários, “que escândalo!”, “isto é um absurdo!”, “o mundo é injusto!”, uma colega, num momento de silêncio, afirma: “Eu não me deixo abalar com essas notícias. Para mim, o mais importante é ter trabalho e sentir-me útil.”. Ora toma! A vida é bela com pessoas assim… enquanto umas praguejam… outras agradecem os dons!

Susana

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