Arquivo para Novembro, 2008

Deus é o centro da minha alma

São João da Cruz, nas suas reflexões sobre a natureza da meditação, escreveu isso: “Deus é o centro de minha alma”. Um dos maiores dilemas de nossos tempos, é o de que aqueles dentre nós que se acreditam religiosos, procuramos compreender Deus com nossas mentes, enquanto que, aqueles dentre nós que não somos abertamente religiosos, colocamos Deus de lado, em nossas vidas. Todos precisamos descobrir, que a única maneira de podermos falar de Deus, de algum modo significativo, é se O descobrirmos em nós mesmos; caso tenhamos tomado a estrada do autoconhecimento, que é a peregrinação a nosso próprio ser essencial. É na descoberta de nós mesmos, na descoberta de nossa própria capacidade por uma maior plenitude de ser, que encontramos o Uno que é. Nessa descoberta, somos libertados…

A meditação é uma oportunidade maravilhosa para todos nós correspondermos… pois, ao retornamos a nossa origem, à base do nosso ser, retornamos à nossa inocência. O chamado para a meditação, para os primeiros Padres da Igreja, era um chamado para a pureza de coração e isto é o que é inocência… a pureza de coração. Uma visão não turvada pelo egoísmo, ou pelo desejo, ou por imagens, um coração simplesmente movido por amor. A meditação nos conduz à pura claridade… claridade de visão, claridade de compreensão e claridade de amor… uma claridade que vem da simplicidade. E, para começar a meditar requer-se tão somente a simples determinação de começar e, então, continuar…

Agora, permita-me relembrar o que ela envolve. É o caminho da atenção. Na meditação, precisamos ir além do pensamento, além do desejo e, além da imaginação e, nesse além, começamos a saber o que somos nós aqui e agora em Deus, “Pois nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17:28).  O caminho da simplicidade é o caminho de uma só palavra, da repetição de uma palavra. É a recitação e a fidelidade a esta recitação, toda manhã e toda tarde, que nos conduz para além de todo alvoroço das palavras, além de todo labirinto das idéias, para a unicidade.

O grande problema na vida surge da falta da habilidade de nos comunicarmos (até mesmo de nos comunicarmos conosco) e a meditação é o caminho para a comunhão completa, a unicidade do ser. Na meditação e, na vida enriquecida pela meditação, somos apenas plenamente nós mesmos, seja lá quem formos.

John Main OSB, Fundador da Comunidade Mundial de Meditação Cristã

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«Guia» para o diálogo com as outras religiões

O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso (CPDIR) está concentrado na elaboração de um documento com linhas de orientação que ajudem os católicos a “relacionar-se com pessoas e comunidades de outras religiões na verdade e no amor”.

A revelação foi feita pelo presidente do CPDIR, Cardeal Jean-Louis Tauran, na abertura da assembleia plenária deste organismo do Vaticano, que se prolonga até ao próximo dia 7, Sábado.

“Após muitos anos de hesitação a respeito da oportunidade de tal documento, parece ter chegado o tempo de apoiar os pastores e os fiéis com algumas orientações gerais que, obviamente, serão adaptadas às situações locais”, referiu o Cardeal francês.

Segundo este responsável, a inspiração virá dos “Dez Mandamentos, que são uma espécie de gramática universal que todos os crentes podem usar na sua relação com Deus e com todos os seus próximos”.

A assembleia que decorre no Vaticano junta 50 pessoas, entre membros, consultores e funcionários do CPDIR. A reunião decorre de 3 em 3 anos e tem finalidades pastorais.

Para o Cardeal Tauran é “importante que o nosso serviço aos irmãos e irmãs católicas os prepare para estar prontos a partilhar as suas convicções espirituais e a considerar as dos outros”.

O presidente do CPDIR considera fundamental “compreender que todos os crentes têm um património comum, a fé no Deus único, a sacralidade da vida, a necessidade da fraternidade, a experiência da oração que é a linguagem das religiões”.

O actual Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso (CPDIR) foi criado em 1988 pelo Papa João Paulo II, com a Constituição Apostólica Pastor Bonus” (arts.159-162).

Neste documento pode ler-se que “o Conselho favorece e regula as relações com os membros e os grupos das religiões que não são compreendidas sob o nome cristão, e também com aqueles que, de algum modo, possuem o sentido religioso”.

Internacional | Octávio Carmo| 04/06/2008 | 16:04 | 1896 Caracteres | 577 | Diálogo inter-religioso

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