iWill # Lx Brownie

Fica em Campo de Ourique (eu amo cada vez mais este bairro!), chama-se Lx Brownie, abriu no sábado, 27 de junho, e tem 13 opções diferentes de brownies!!! Sim, certamente serão 13 opções muito calóricas mas à distância das fotografias que já vi parecem ser 13 opções divinalmente doces, daquelas de ir ao céu e voltar :)
Dizem que o espaço é bastante pequeno — tem 12 metros quadrados —, mas, ouvindo as palavras das proprietárias, o objectivo não é tanto que as pessoas fiquem por lá, mas antes fazer entregas ao domicílio e também o take away. Os brownies têm sete centímetros de lado e dois de altura (sóóóóóóó????) e pode-se pedir os quadrados à unidade (a partir de 2,20€), em caixas de seis (desde 13€) ou à dúzia (a partir de 25€). Estamos a ir???
Brownie Clássico

Brownie Clássico

Brownie de Nutella

Brownie de Nutella

Brownie de red velvet

Brownie de red velvet

iRead # Somos analfabetos do silêncio | JTMendonça

[Silêncio. Até muito recentemente eu odiava o silêncio ou pelo menos odiava o que ele para mim significava: um misto de medo de solidão (o sentimento de estar só, desacompanhada…) e de estar (fisicamente) sozinha. Basicamente,  não gostava de estar comigo :) Só há muito pouco tempo, e conduzida em especial pela espiritualidade inaciana, me iniciei no desafio de fazer silêncio. Continua a ser um desafio, mas já há dias em que entro em casa e não vou a correr ligar a TV… já há dias em que faço programas sozinha em vez de procurar companhia para. Estou crescida, não estou??? Este texto do JTM levou-me a recordar em certa medida este meu processo de descoberta do silêncio e a fazer uma avaliação (também muito ao estilo inaciano) de como anda o silêncio na minha vida.]
(…) As nossas sociedades investem tanto na construção de competências na ordem da palavra (e pensemos como a escolarização está ao serviço da capacitação dos indivíduos em ordem a um funcionamento eficaz com a palavra) e tão pouco nas competências que operam com o silêncio. Somos analfabetos do silêncio e esse é um dos motivos porque não sabemos viver na paz.
O silêncio é um traço de união mais frequente do que se imagina, e mais fecundo do que se julga. O silêncio tem tudo para se tornar um saber partilhado sobre o essencial, sobre o que nos une, sobre o que pode alicerçar, para cada um enquanto indivíduo e para todos enquanto comunidade, os modos possíveis de nos reinventarmos. Mas para isso precisamos de uma iniciação ao silêncio, que é o mesmo que dizer uma iniciação à arte de escutar.
Na sociedade da comunicação há um défice de escuta. Numa cultura de avalanche como a nossa, a verdadeira escuta só pode configurar-se como uma re-significação do silêncio, um recuo crítico perante o frenesim das palavras e das mensagens que a todo o minuto pretendem aprisionar-nos. A arte da escuta é, por isso, um exercício de resistência. Ela estabelece uma descontinuidade em relação ao real aparente, à sucessão ociosa do discurso, à enxurrada que a telenovelização do quotidiano (seja ele político, económico ou cultural) comporta. A escuta constitui uma cesura, um corte simbólico, uma deslocação.
Pense-se em como o silêncio dá a ver o património de uma amizade. E a pergunta é: como percebemos que dois desconhecidos são amigos? Pela forma como conversam? Certamente. Pelo modo como se riem? Claro que sim. Mas ainda mais porque nitidamente acolhem o silêncio um do outro. Entre conhecidos o silêncio é um embaraço, sentimos imediatamente a necessidade de fazer conversa, de ocupar o espaço em branco da comunicação. Com os amigos o silêncio nada tem de embaraçoso. O silêncio é um vínculo que une.
José Tolentino Mendonça | 13/06/2015 © Expresso